As estrelas. Eu gosto de estrelas. Gosto de olhar p’ra elas e tentar ver mais além, gosto do Sol. E pronto, já chega de conversa primaveril. As estrelas e aquilo a que os americanos chamam de star system é-me completamente fascinante. Gostamos de ver alguém subir ao zen e depois enterrar-se na fossa, quando no fundo, em última análise, fazem figuras como as nossas. Pelo menos como as minhas.
As estrelas são muitas e em muitas estirpes diferentes. Temos a estrela apresentadora de televisão, um modelo a seguir, uma moral sem qualquer tipo de questionabilidade, intenções sociais e pessoais solidárias. Essas dão-me seca. Por muito que emocione as donas de casa e senhoras de quadro médio a percorrer a entrada para a terceira idade, a mim, não me dá gozo nenhum ver ninguém que desenha uma linha recta e a segue à risca sem dela se desviar um mero pêlo púbico.
Existem também as estrelas do vazio. Festas. Vestidos e roupas emprestadas e eventos sociais com fins aplaudíveis. Vira-se a moeda e lá está lá a droga nos bastidores, o sexo desenfreado e consequente viagem a Espanha. Também me entediam. É sempre a mesma coisa. Os mesmos sítios, as mesmas caras feias e as mesmas caras bonitas. É mulheres de jogadores de futebol,mulheres e ex-mulheres de empresários famosos ou então não são coisa nenhuma. Blá blá blá, blá blá blá, já está.
Falar dos que estão no cinema, junto ao Pacífico e não das novelas de Queluz, é complicado. Uns queria ser como eles a outros queria dar pontapés. Não tinham que ser muitos ou com muita força, um pontapé ou uma estalada das pequenas satisfazia-me. A vida dos filmes é bonita. Toda a gente é bonita. Todos têm uma só mulher linda que conhecem desde os tempos de escola ou em alternativa muitas mulheres bonitas em vários dias e várias alturas do dia. Nos filmes passeia-se de descapotável e vai-se de Miami a Cuba só para beber um Mojito. A roupa está sempre bem passada e o cabelo nunca tem dias maus. Seguindo em frente e deixando a lamentação para trás, estas pessoas que olhamos e admiramos têm uma tarefa complicada. As festas e as companhias aparecem como bónus à beleza e ao charme mas têm a difícil tarefa de tentar, pelo menos, servir de exemplo. Bom ou mau, não interessa. Nem todos conseguem ser John Travolta’s, nem todas conseguem ser Meryl Streep’s.
A estrela de Rock está quase culturalmente obrigada a ser irreverente. A ser não-conformista, e eu, não tenho jeito nenhum para a música.